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Programa de Compliance: confira 6 passos para implantar na sua empresa
O programa de compliance tem sido adotado por empresas de todos os portes como uma medida estratégica — e não apenas corretiva. Até janeiro de 2018, mais de R$ 12 milhões em multas já haviam sido aplicadas pelo Governo Federal, segundo dados da Controladoria-Geral da União (CGU).
Mais do que “seguir regras”, o compliance representa estar em conformidade com leis, normas e políticas internas, fortalecendo a governança, prevenindo riscos e aumentando a credibilidade da organização.
Neste artigo, você vai entender a importância do compliance, seus principais benefícios e 6 passos práticos para implantar um programa de compliance na sua empresa.
O que é um programa de compliance?
O termo compliance vem do inglês to comply, que significa agir em conformidade. Na prática, um programa de compliance é um conjunto de políticas, processos e controles criados para garantir que a empresa cumpra leis, regulamentos e padrões éticos — internos e externos.
Esse programa permite:
- Monitorar condutas;
- Prevenir irregularidades;
- Corrigir desvios rapidamente;
- Promover uma cultura organizacional ética e transparente.
A importância do compliance para as empresas
Um programa de compliance bem estruturado é um forte aliado no combate à corrupção e à má conduta corporativa. Entre os principais benefícios, destacam-se:
- Maior credibilidade no mercado
- Aumento do valor da empresa
- Atração de investidores
- Prevenção de sanções legais
- Correção imediata de irregularidades
- Retenção de talentos
- Fortalecimento da governança corporativa
Importante destacar: compliance não é exclusivo de grandes empresas ou do setor público. Qualquer organização pode — e deve — adotar esse modelo.
Compliance e a Lei Anticorrupção: uma necessidade urgente
A Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013) foi o grande marco para a disseminação do compliance no Brasil. Ela determina que as próprias empresas sejam responsáveis por criar mecanismos de prevenção e controle de práticas ilícitas.
Segundo a legislação, a empresa pode ser responsabilizada por atos ilegais que a beneficiem, mesmo que praticados por terceiros, como funcionários, fornecedores ou prestadores de serviço.
Penalidades previstas
- Multa de até 20% do faturamento bruto
- Possibilidade de interdição das atividades
- Redução da multa em até 4%, caso exista um programa de compliance efetivo
Exemplos de atos proibidos
- Conceder vantagem indevida a agente público
- Fraudar ou impedir a competitividade em licitações
- Subsidiar atividades ilícitas
- Obter vantagens em contratos públicos de forma irregular
Como implantar um programa de compliance: 6 passos essenciais
1. Defina um responsável pelo compliance
O primeiro passo é nomear um responsável pelo programa, também conhecido como compliance officer. Esse profissional deve ter conhecimento técnico, autonomia e postura ética para conduzir o processo.
Principais atribuições:
- Planejar ciclos de compliance
- Orientar líderes e gestores
- Monitorar processos
- Aplicar advertências e punições
- Oferecer suporte contínuo à equipe
2. Faça o diagnóstico de riscos
Identifique os riscos legais e operacionais aos quais a empresa está exposta. Para isso, analise:
- Legislações aplicáveis
- Normas regulatórias
- Convenções sindicais
- Código de conduta
- Relacionamento com fornecedores e parceiros
Mapear o fluxo de trabalho e ouvir os colaboradores ajuda a identificar práticas que podem contrariar o compliance.
3. Crie políticas e normas internas
Com base no diagnóstico, desenvolva políticas internas claras, reunidas em um regimento ou código de conduta.
Essas normas devem:
- Definir comportamentos esperados
- Orientar decisões éticas
- Estar alinhadas à cultura organizacional
- Ser acessíveis a todos os colaboradores
4. Avalie os ambientes internos e externos
É fundamental identificar ambientes e situações que favorecem desvios de conduta, como:
- Assédio moral
- Falta de comprometimento
- Conflitos de interesse
Além disso, avalie o relacionamento da empresa com:
- Fornecedores
- Parceiros
- Clientes
Essa análise ajuda a corrigir hábitos inadequados antes que se tornem riscos legais.
5. Planeje o controle e o monitoramento
Defina planos de ação, auditorias internas e indicadores de desempenho para acompanhar o cumprimento do programa.
Indicadores comuns:
- Índice de conformidade
- Grau de controle documental
- Nível de confiança nos processos
Sem métricas, não há como garantir a eficácia do compliance.
6. Desenvolva estratégias de engajamento
O sucesso do compliance depende do engajamento das pessoas. Para isso:
- Promova treinamentos periódicos
- Realize campanhas internas de conscientização
- Crie canais de denúncia seguros e confidenciais
Lembre-se: compliance é um processo contínuo, que exige tempo, consistência e reforço cultural.
Compliance como parte da cultura organizacional
Mais do que atender à Lei Anticorrupção, o compliance estabelece valores éticos sólidos dentro da organização. Quando esses valores estão enraizados na cultura, a empresa se torna mais sustentável, transparente e competitiva.
Implantar um programa de compliance pode ser desafiador, mas os benefícios superam amplamente os esforços iniciais.
Conclusão
Investir em compliance é investir em segurança, credibilidade e crescimento sustentável. Empresas que adotam essa prática reduzem riscos, fortalecem sua reputação e se destacam no mercado.
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